26.8.26

Ano que vem o mundo acaba [de novo]


Quantos vídeos e textos não existem na internet para provarem que no próximo ano o caos vai imperar? E é sempre no próximo ano! Nunca no ano corrente. São teorias e mais teorias que, no fim das contas, alguma tem que estar certa — ou pelo menos o mais certa possível. Ou seja, dependendo da capacidade criativa que a pessoa tenha, da disponibilidade para fazer diversos conteúdos neste sentido, catastróficos [já que sua vida vai uma droga e quer que o mesmo aconteça com os outros], hora ou outra alguém vai achar que existe uma verdade sendo dita. Porém, o que ela não entende é que o volume de coisas negativas, trágicas, faz parecer que ela está cada vez mais próxima de uma verdade universal a respeito do mundo, do universo e tudo mais, quando ao certo ela só está entrando na mesma onda de pessoas tão doidas quanto para acreditarem em gente maluca falando ou escrevendo na internet.

Então, todos os anos a Terra está para acabar — e nunca acaba! Aliás, acaba, para alguns, mas não da forma que dizem por aí. As teorias são várias e envolvem números, clima, questões políticas ou vídeos de gatinhos engraçados [pois tanto faz, já que alguém vai terminar perdendo um puta tempo da sua vida procurando respostas para uma questão que só ele e um punhado de pirados acreditam]. O pior de tudo isso é que ninguém se questiona sobre o motivo de perder tempo com tanta bobagem a respeito do “fim do mundo”. Só seguem o fluxo.

Estórias [não] passadas

O poder da estória, que hoje se confunde com a própria história, sempre foi fundamental para prender a atenção, especialmente das crianças. Como muitos atualmente não foram expostos à esta realidade, de contação de estórias, terminam suprindo essa falta, mesmo inconscientemente, através dos incontáveis conteúdos conspiratórios sobre aparições de fantasmas, OVNIS, seres interdimensionais, profecias apocalípticas ou qualquer outra coisa mais interessante [e como sempre tem uma doidice mais adequada para todo tipo de gosto, fica fácil de agradar os doidos soltos pela internet].

Os maias [ou foram os astecas?] devem estar muito frustrados por não terem previsto o fim do mundo corretamente [ou dos incompetentes conspiracionistas terem errado os cálculos] — nunca saberemos! Ao certo, diante desse cenário de marmanjos que não receberam contações de estórias, até a Terra voltou a ser plana. Para piorar, como tudo isso também serve para apaziguar as multidões, mesmo o governo dos EUA tem apostado nos OVNIS para deixar esse bando de gente entretido, para que nunca descubram que foram mantidos ocupados, de propósito, para que não pudessem sair por aí atirando nas pessoas [porque são realmente loucas ou pendentes à loucura]. Detalhes: os melhores objetos voadores não identificados sempre são estadunidenses, não é mesmo? Nada contra, já que os melhores produtos vêm de lá mesmo.

Verdade é que a força dessas bobagens na internet é tão devastadora, que mesmo os mais céticos, por conta da audiência que precisam proporcionar em podcasts [que o povo acha que são como a Escola de Atenas, que delas brotam o suprassumo do conhecimento — coitados], acabam criando expectativas de que OVNIS possam existir pelo fato de não contrariarem um “host” imbecil [geralmente em forma de algum estúpido, usuário de entorpecentes, que acha qualquer porcaria uma “viagem massa”, embora sejam só reações pela morte dos próprios neurônios — francamente, eu quero mais é que se explodam]. Enfim. Ah! Tudo isso é perda de tempo, pois não passam de meros entretenimentos, algo para te manter ocupado enquanto poderia estar tomando o lugar de alguém aí em uma prova de concurso, inventando coisas novas ou plantando batatas, literalmente, o que será necessário saber em mais 5 anos.

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